A educação financeira para crianças e jovens contribui para o desenvolvimento econômico do País e deve ser incentivada, afirmam representantes da Bolsa de Valores, da CVM e da Febraban. Eles explicam que os recentes aumentos da renda e do emprego elevam a capacidade de compra e, quando os consumidores não planejam suas contas, todo o sistema financeiro corre riscos.
“Nos últimos anos, cerca de 30 milhões de pessoas passaram da classe D para a classe C. Aumentou o poder aquisitivo e a capacidade de consumo de produtos financeiros. Se esse crescimento não for acompanhado pela educação, poderá trazer inadimplência e outros problemas que comprometem o crescimento sólido do País”, diz Fabio Moraes, gerente de educação financeira da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
Denílson Molina, gerente executivo da diretoria de cartões do Banco do Brasil (BB) diz que as informações ajudam a combater o consumo exagerado. “O apelo do consumismo entre jovens é fortíssimo”, diz o executivo após a apresentação de estreia do “Teatro Finanças Práticas”, espetáculo trazido ao Brasil pela empresa de cartões de crédito Visa e o BB. Segundo ele, iniciativas como o teatro fazem com que a plateia assimile conceitos econômicos muito facilmente.
Aprendendo a investir - Em jogos do "Turma da Bolsa", criado pela BM&FBovespa, crianças têm contato com conceitos como de poupança, juros e endividamento
Não só a saúde do sistema financeiro, mas também o movimento do mercado de capitais no futuro depende das crianças e jovens, defendem os representantes da Bolsa de Valores brasileira e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Edemir Pinto, diretor-presidente da BM&FBovespa, considera importante trazer pessoas mais jovens para mais perto da bolsa para que elas conheçam formas diferentes de investir. “Muitas vezes elas não sabem que ao comprar ações se tornam sócias das empresas, por exemplo”.
Para Pinto, os jovens também poderiam começar a aprender a investir em dividendos, o que pode ser uma opção interessante inclusive para o planejamento da aposentadoria. “De uma forma geral, as pessoas têm dificuldade de ver o que o mercado de capitais oferece. Há companhias que pagam dividendos trimestrais e mensais”, afirma.
A ideia é compartilhada por Alexsandro Broedel Lopes, diretor da CVM, que acredita que, no curto prazo, a inclusão de conceitos econômicos no dia-a-dia de jovens contribui para “desmistificar a bolsa de valores”, que é tida como uma opção de investimentos apenas para ricos. Para o longo prazo, Lopes destaca a vantagem da formação de novos talentos para carreiras ligadas ao mercado financeiro. “Sem dúvidas, o bom funcionamento atual e futuro do mercado de capitais está intimamente ligado à educação”, completa.
Projetos
A Febraban apoia o governo em um projeto de ensino de finanças pessoais para crianças, enquanto a BM&FBovespa possui oito projetos de educação financeira, entre eles, o recém-lançado “Turma da Bolsa”, destinado a crianças. As duas instituições também apoiam a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef), que é coordenada pela CVM, em parceria com o Banco Central, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e a Secretaria de Previdência Complementar (SPC). A empresa de cartões Visa, com o apoio do Banco do Brasil, fará dez apresentações do "Teatro Finanças Práticas" para um público de 11 a 13 anos. Depois, a peça será televisionada para grupos de crianças em agências do BB.
Fonte: iG São Paulo